domingo, julho 08, 2012

Seedorf chega de helicóptero e faz Botafogo decolar no Engenhão



  Hugo Carlos


Confira as imagens da chegada do Seedorf no Engennhão - (Foto:Bruno de Lima)
A apresentação do mais novo reforço alvinegro, o meia holandês Clarence Seedorf, contagiou não só os torcedores presentes no estádio, mas sobretudo os jogadores e o técnico Osvaldo de Oliveira que, com postura contrária à dos últimos jogos, souberam se impor diante de um adversário frágil e pouco criativo, transformando o bom goleiro Jefferson em mero espectador da partida.

O jogo começou com o Botafogo ocupando todos os espaços do campo, a defesa se recompondo com rapidez e os meias pressionando as saídas de bola do Bahia, o que fazia com que o time dirigido por Falcão não conseguisse articular uma jogada que fosse capaz de ameaçar a meta defendida por Jefferson.

Ainda no primeiro tempo, o time da estrela solitária diminuiu um pouco o ritmo, mas continuou sendo o dono das ações em campo. Errando muitos passes, como de costume, o time que abriu com Cidinho o placar do jogo aos 6 minutos, parecia querer reeditar os apagões sofridos diante de Cruzeiro e Ponte Preta, jogos realizados no Engenhão e tidos também por isso na conta dos mais fáceis.

No último sábado, 07, porém, com Cidinho no lugar de Fellype Gabriel, com problemas físicos, Lucas Zen substituindo Marcelo Matos, machucado e Elkeson no lugar de Herrera, negociado com os Emirados Árabes Unidos, o Botafogo não tomou conhecimento do Bahia e aplicou um 3 a 0 sonoro, com Cidinho mais uma vez e Elkeson, para alegria dos torcedores e de Seedorf que, do camarote da presidência onde ficou ao lado da família, viu seu nove clube voar, vencer e subir na tabela de classificação do brasileiro. 





Por Hugo Carlos/BotafogoDePrimeira


De camisa do Bota até o fim, Seedorf impressiona o grupo e elogia sistema



Durante a vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, holandês conhece Jairiznho e Carlos Alberto Torres e destaca velocidade e recomposição defensiva




Se a primeira impressão é a que fica, Seedorf conquistou jogadores, dirigentes, comissão técnica e torcedores. Na festa de sua apresentação, quando todos os holofotes estavam sobre o holandês, o time conseguiu uma vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, sábado, no Engenhão, e se recuperou no Campeonato Brasileiro. Antes de a bola rolar, o reforço passou na sala de aquecimento para falar com os novos companheiros e recebeu de volta o carinho do grupo. Durante todo o tempo em que esteve no estádio não tirou a camisa recebida das mãos de duas crianças em sua entrada triunfal no gramado.

Renato recebe Seedorf no vestiário antes da partida contra o Bahia (Foto: Fernando Soutello / AGIF)


Seedorf falou com um por um, desejando boa sorte e fazendo questão de saber o nome de todos antes de se dirigir para o camarote do presidente Maurício Assumpção, onde sua família estava a sua espera, assim como Jairzinho, que se consagrou com a camisa 10 do Botafogo nos anos 60 e 70. Antes, ainda fez o papel de ídolo ao conversar com sócios-torcedores sorteados pelo clube numa promoção do programa Sou Botafogo e encontrou Carlos Alberto Torres.
Do camarote, Seedorf esbanjou simpatia. Posou para fotos e se acomodou ao lado da mulher, Luviana, da agente Deborah Martin e com os filhos Denzel, de cinco anos, e Jusy, de nove. Na conversa com pessoas no loca, disse ter ficado impressionado com a velocidade do time no ataque e a reposição defensiva, além de tecer elogios ao sistema de jogo e críticas à arbitragem, que considerou passiva com relação aos lances mais ríspidos do Bahia. Ele deixou o estádio aos 21 minutos do segundo tempo, quando o Botafogo já vencia por 3 a 0.

- Ele cumprimentou todo mundo e deu muita importância ao jogo que a gente estava para disputar. Isso mostra a pessoa e o profissional que é. Fiquei imaginando como estava a cabeça dos mais jovens. Eu já tinha encontrado com ele uma vez e foi muito bom esse contato novamente - comentou Andrezinho, que enfrentou Seedorf quando defendia o Internacional na Copa Audi do ano passado.

Houve quem ficasse sem palavras no momento do encontro. O atacante Sassá, de 18 anos, fez sua estreia pelos profissionais do Botafogo ao entrar no lugar de Elkeson nos minutos finais do jogo com o Bahia. O sorriso tenso deixava visível a emoção do jovem ao falar sobre Seedorf.


Seedorf não tirou a camisa do Botafogo durante o
jogo (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Só tinha visto no videogame e na televisão. Na hora em que ele falou comigo fiquei bobo. Não falei nada"
Sassá
- Só tinha visto no videogame e na televisão. Na hora em que ele falou comigo fiquei bobo. Não falei nada - afirmou Sassá, que já havia ficado no banco de reservas na vitória sobre o Americano por 4 a 2, em Campos, pelo Campeonato Carioca.
Seedorf tem apresentado comportamento exemplar. Na sexta-feira, teve uma recepção de gala no aeroporto, onde foi atencioso na medida do possível. No hotel onde está hospedado, em Ipanema, atendeu torcedores na porta. À noite, ainda encontrou tempo para treinar em uma academia da Zona Sul, sob orientação do preparador físico Leandro Cardoso.
- Ele está muito bem. Não vai dar trabalho - brincou Leandro.



Como garoto-propaganda, Seedorf também foi um sucesso, apesar do público no Engenhão ter sido abaixo do esperado em sua apresentação. O programa Sou Botafogo teve um crescimento de 50% nos primeiros cinco dias depois de seu anúncio como jogador do clube. No sábado, uma camisa comemorativa foi vendida em estandes no estádio por R$ 49,90. As cinco mil peças esgotaram e já existe a possibilidade de um segundo lote ser produzido.- A gente sabia o que iria acontecer. O otimismo era indisfarçável. Havia a preocupação que a festa não contagiasse de forma negativo o grupo. Mas Seedorf foi de um cavalheirismo grande. Foi sóbrio e discreto. Ele entendeu que era aquilo que estávamos precisando - analisou o técnico Oswaldo de Oliveira.

Seedorf concederá sua primeira entrevista coletiva segunda-feira, no Palácio da Cidade, onde será recebido pelo prefeito Eduardo Paes. A expectativa é de que sua estreia aconteça dia 22, contra o Grêmio, no Engenhão.

Por Edgard Maciel de Sá e Thales SoaresRio de Janeiro

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