segunda-feira, julho 23, 2012

Lodeiro vive expectativa de defender o Bota e espera apoio em Londres


Novo uruguaio do grupo tem preferência pelo número 14, experiência de sobra e torce por repetição do carinho dos alvinegros com o Uruguai

A saída de Loco Abreu do Botafogo deixou as camisas azuis número 13, que se multiplicavam pela arquibancada do Engenhão, órfãs de um uruguaio para representá-las em campo. Mas a diretoria repôs a alma celeste rapidamente, acertando a contratação do meia Nicolás Lodeiro, de 23 anos, que está concentrado com a seleção do Uruguai para a disputa das Olimpíadas de Londres.

Por telefone, Lodeiro conversou com o GLOBOESPORTE.COM e se mostrou ansioso para iniciar a sua história em novo clube, pegando carona no sucesso de Loco Abreu, que fez o Botafogo se tornar conhecido em seu país. Depois da participação do Uruguai em Londres, ele desembarcará imediatamente no Rio para se integrar ao grupo. Já na expectativa de usar o seu número preferido: 14.

Marcelo Nicolás Lodeiro, Botafogo (Foto: Agência Getty Images)Meia Nicolás Lodeiro em ação pela seleção uruguaia com a camisa 14 (Foto: Agência Getty Images)

O 14 é meu número preferido. Com ele, consegui grandes coisas no futebol e me identifiquei com ele. Se estiver disponível, é esse que vou usar, mas no momento o mais importante é chegar ao clube e me ambientar rapidamente com o grupo - disse Lodeiro, que já vestiu a camisa do clube para posar para fotos para o site oficial. - Eu me senti muito bem. Temos muito a ganhar e espero pelo carinho dos torcedores.

Apesar de jovem, Lodeiro já chega ao clube com longa experiência. ele foi capitão da seleção sub-20 no Mundial de 2009 e, além de ter disputado três jogos na Copa do Mundo de 2010 e outros três na conquista da Copa América de 2011, ainda carrega na bagagem a disputa das Taças Libertadores de 2008 e 2009, quando ajudou o Nacional de Montevidéu a eliminar o Palmeiras nas quartas de final, antes de ser eliminado pelo Estudiantes, da Argentina, na semifinal.

Em 2008, ainda acompanhou uma vitória histórica do Nacional sobre um dos grandes rivais do Botafogo: o Flamengo. Na fase de grupos da Libertadores daquele ano, o time uruguaio venceu por 3 a 0 em um jogo marcado pela agressão de Toró a um gandula. Lodeiro estava no banco, mas lembra do episódio.
Fico contente por isso e me dá mais gana de chegar ao Botafogo para jogar com Seedorf. Mas o time tem outros grandes jogadores, não só o Seedorf. Vivo uma expectativa muito grande pelos meus primeiros dias de Botafogo"
Lodeiro

- Fui ao Brasil algumas vezes, quando o Nacional enfrentou São Paulo e Flamengo em 2008, mas fiquei no Banco, e no jogo contra o Palmeiras em 2009 (quando era titular do time). Lembro daquele jogo com o Flamengo no Parque Central - disse Lodeiro.

À distância, o reforço alvinegro vai acompanhar os fatos sobre o clube com a ajuda do empresário Gerardo Cano. Neste domingo, o Botafogo enfrentará o Grêmio, às 18h30 (de Brasília), no Engenhão, em jogo que marcará a estreia do holandês Seedorf, de 36 anos, revelado pelo Ajax, último clube de Lodeiro.

- Fico contente por isso e me dá mais gana de chegar ao Botafogo para jogar com Seedorf. Mas o time tem outros grandes jogadores, não só o Seedorf. Vivo uma expectativa muito grande pelos meus primeiros dias de Botafogo. Fiquei satisfeito quando se interessaram por mim, pois se trata de um grande clube, que vem fazendo as coisas de forma correta, com um futebol brasileiro em um momento economicamente forte - afirmou.

A relação com Loco Abreu também ajudou Lodeiro a conhecer melhor o Botafogo. Ele conversou algumas vezes com o atacante, que foi emprestado ao Figueirense, e colheu informações sobre seu novo clube, que ficou muito conhecido no Uruguai depois da contratação de Loco em 2010.

- Tenho uma relação muito boa com o Loco. Jogamos juntos e sempre temos contato. Comentei com ele que jogaria no Botafogo e disse que estava com muita gana de defender o clube. Achei muito bonito o que a torcida fez por ele, principalmente durante a Copa do Mundo e na Copa América - comentou.

Se Loco recebeu tanto apoio em 2010 e 2011, Lodeiro espera agora receber o mesmo carinho, mesmo ainda longe do clube, durante as Olimpíadas de Londres. Ele tem esperança de que a torcida pelo Uruguai cresça a partir da estreia da seleção na competição, dia 26, contra os Emirados Árabes, em Manchester.

- Espero que a torcida do Botafogo possa apoiar o Uruguai por mim. Esse carinho ajuda a jogar. Estou com muita vontade de receber esse reconhecimento dos torcedores. Vivo a expectatuva de mostrar meu futebol e ajudar o clube a conquistar títulos - avisou Lodeiro.

Por Thales SoaresRio de Janeiro

Tímido, elegante e educado, Seedorf perde jogo e sorriso em sua estreia




Holandês faz primeiro jogo pelo Botafogo, curte a festa da torcida, mas termina o confronto derrotado por 1 a 0 pelo Grêmio, no Engenhão





O sorriso fácil dos treinamentos, com conversas divertidas e até algumas piadas deram lugar a uma timidez ainda não vista de Seedorf em sua estreia com a camisa do Botafogo, domingo, na derrota por 1 a 0 para o Grêmio, no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro. Com mais 30 mil pessoas presentes no estádio, ele até teve uma atuação razoável, mas ainda em busca de seu espaço em campo, ao lado de novos companheiros, em um novo ambiente, recheado de peculiaridades como o futebol brasileiro.

- Vamos acompanhá-lo e escalarecer as possíveis dúvidas que tenha. Ele assistiu aos últimos quatro jogos antes de fazer sua estreia, mas não teve tempo de treinar com o grupo. Ele está iniciando e isso é um grande peso ainda. Estamos vendo as suas reais possibilidades e lhe daremos as melhores condições para que se integre e consiga produzir com a equipe - disse Oswaldo de Oliveira.

A começar pelo traje, já era possível perceber a diferença entre Seedorf e os outros jogadores em campo. Com a camisa para dentro do calção, algo que antigamente era obrigação, o holandês destoava do conjunto alvinegro. Do lado do Grêmio, apenas Gilberto Silva e o goleiro Marcelo Grohe seguiam o mesmo estilo.

Os números de Seedorf
Finalizações: 2
Faltas cometidas: 1
Faltas recebidas: 1
Roubadas de bola: 1
Passes errados: 5

Antes de entrar em campo, Seedorf passou pelo convívio com o grupo, dormindo a noite de sábado na concentração, em General Severiano. Do despertar, por volta das 8h, passando pelo almoço, às 12h, até a preleção, às 16h, e saída para o Engenhão, às 16h30, ele teve a chance de perceber uma parte da rotina das comissões técnicas no futebol brasileiro.

No jogo, sua educação também foi facilmente notada. Depois de uma dura dividida com Zé Roberto, ele se preocupou em saber como adversário, que saiu de maca, estava. Além disso, não esboçou sequer uma reclamação com a arbitragem, nem mesmo ao fim do jogo nas entrevistas que concedeu ao deixar o gramado do Engenhão.

Sua entrada em campo se tornou um grande evento. Perseguido por uma dezena de mascotes, Seedorf demorou para se juntar ao time no centro do campo antes de cumprimentar os torcedores. A expectativa foi grande até o seu primeiro toque na bola. A apreensão na torcida era possível de ser sentida. Logo com um minuto, ele tentou uma dominada em uma bola alta, cercado por dois adversários, e acabou não conseguindo.

Escalado no lugar de Andrezinho, Seedorf estava mais centralizado. No entanto, no sistema de Oswaldo de Oliveira a rotatividade dos meias é grande. Muitas vezes, o holandês procurava o lado esquerdo do campo, trocando mais passes com Márcio Azevedo e Vítor Júnior.


Seedorf Botafogo (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Seedorf assiste aos minutos finais do jogo ao lado de Fellype Gabriel (Foto: André Durão / Globoesporte.com)


Considerado um líder pelos clubes onde jogou, Seedorf falou pouco. No começo, tentou orientar a marcação na saída de bola do Grêmio. Ele se soltou um pouco mais a partir dos 10 minutos, depois de uma cobrança de falta desviada por Fellype Gabriel, que quase se transformou em gol. Depois, arriscou seu primeiro chute, de perna direita, pelo lado esquerdo, de dentro da área, facilmente defendido por Marcelo Grohe.

Disposto a ajudar o time, acompanhava os laterais e procurava se deslocar para participar do jogo. Orientou Lucas Zen depois de um ataque perigoso do Grêmio. Em sua melhor jogada na partida, aos 28 minutos, se livrou de Gilberto Silva e fez o cruzamento de perna esquerda para Elkeson, que cabeceou para fora.

Seedorf parecia se manifestar pouco em campo com palavras, talvez em respeito pelo fato de ser um novato no grupo. Aos 32, aplaudiu Vítor Júnior em uma tentativa de fora da área. Numa paralisação para atendimento médico de Zé Roberto, conversou com Márcio Azevedo e, em seguida, recebeu orientações do zagueiro Antônio Carlos, capitão do time.
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Terminado o primeiro tempo, foi cercado por repórteres na saída de campo. Depois, acenou para os torcedores que o aplaudiram na descida para o vestiário, mas sem exibir o conhecido sorriso de seus primeiros dias como jogador do Botafogo, percebendo que as coisas não estavam acontecendo da maneira como esperava.

Mal começou o segundo tempo e o Grêmio saiu na frente, em uma jogada polêmica, que resultou no gol de Marcelo Moreno. Os jogadores do Botafogo foram reclamar com o árbitro Luis Flavio de Oliveira, mas Seedorf se manteve sereno, com a mão na cintura, esperando o reinício de jogo. Ele logo foi para o grande círculo e recebeu a primeira bola como quem mandasse um recado para o time na busca pela reação.
Aplaudido pela torcida e com direito a abraço do técnico, Seedorf foi substituído aos 24 minutos do segundo tempo pelo atacante Rafael Marques

Aos seis minutos, Lucas sofreu uma falta na entrada da área, pelo lado direito. Elkeson pegou a bola de imediato, mas foi convencido por Seedorf a deixar a cobrança para ele. A bola parou na barreira para decepção dos torcedores. Ele começou a mostrar um pouco de ansiedade na busca pelo empate ao carregar demais a bola em um local perigoso, mesmo com três jogadores a persegui-lo, algo que ainda não havia acontecido. Em campo, sempre valorizou os toques rápidos.

Seedorf mais uma vez tentou uma cobrança de falta, aos 19 minutos, apesar dos pedidos de Elkeson. Desta vez, numa tentativa de cruzamento do lado esquerdo, a bola parou nas mãos do goleiro Marcelo Grohe, que fez a defesa com facilidade. Cinco minutos depois, o holandês encerrou sua participação ao ser substituído por Rafael Marques. Aplaudido e abraçado por Oswaldo, acompanhou do banco de reservas o restante da agonia do time na busca pelo empate. A derrota na estreia tirou o sorriso de Seedorf.

Por Thales SoaresRio de Janeiro

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